O Guia Completo para a Síndrome da Dor Patelofemoral: Parte 6 – Dor

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O Guia Completo para a Síndrome da Dor Patelofemoral Parte 6 – Dor

Por que eu tenho dor no joelho? – Capacidade

Como a Síndrome da Dor Patelofemoral (SDP) é a forma mais comum de dor no joelho tratada no ambiente ambulatorial, essa série foi feita para ajudar as pessoas a entender melhor essa condição, porque ela ocorre e como tratá-la.

Caso você tenha perdido:

Hoje vamos discutir o que acontece após o desenvolvimento da SDP e ditar os fundamentos para começar a reduzir a dor no joelho causada pela síndrome.

Então, o que acontece depois que sentimos dor no joelho?

No último artigo, explicamos como o excesso de uso da articulação patelofemoral pode levar à dor.

Basicamente, quando se ultrapassa a capacidade da articulação patelofemoral de suportar sobrecargas, a dor aparece.

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Ou seja, antes da dor começar, todos somos capazes de realizar qualquer tipo de movimento.

Todos nós possuímos uma capacidade adequada para a realização de diversos tipos de exercícios.

Mas, se nos aventurarmos a fazer algo que está fora da capacidade dos nossos joelhos, como uma maratona longa, sem o adequado treinamento e preparação, vamos sentir dor.

Após o primeiro estímulo doloroso, uma coisa curiosa acontece. A capacidade de realizar as tarefas que antes eram realizadas sem dor, é perdida.

Podemos ser capazes de subir e descer escadas e de andar sem sentir dor, mas muitos outros movimentos trarão dor, como o agachamento, por exemplo.

Isso significa que a capacidade do joelho em suportar estresse foi reduzida após essa lesão inicial e muitas das atividades habituais passam a ser limitadas por ela.

Isso significa que a capacidade do joelho em suportar estresse foi reduzida após essa lesão inicial e muitas das atividades habituais passam a ser limitadas por ela.

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Essa redução na capacidade da articulação em suportar sobrecarga, traduzida como dor ao realizar certos movimentos, é na verdade uma forma do corpo de tentar proteger certo local após uma lesão, como se estivesse dizendo para se ter cuidado, pois aquela parte do corpo não está tão boa quanto costumava estar.

Após uma lesão, a dor existe para a manutenção da segurança e para  ajudar a controlar a quantidade de atividade realizada, para que o corpo possa se recuperar.

Agora, a dor até parece ser algo bom, não é mesmo?

Na verdade, ela realmente é.

Ela é importante para nos manter seguros, e ainda para sinalizar que algo não está ocorrendo como deveria no corpo, e que isto deve ser visto e cuidado.

Além disso, sua redução nos mostra se o caminho da reabilitação está ou não sendo correto, o que vamos explorar um pouco mais a frente.

Além disso, sua redução nos mostra se o caminho da reabilitação está ou não sendo correto, o que vamos explorar um pouco mais a frente.

O que é mais importante entendermos é que o que leva o nosso corpo a se curar é a mesma coisa que leva à lesão, para começar o processo.

E esse fator nada mais é do que o estresse, representado pelo exercício.

Após uma lesão, precisamos encontrar a dose adequada de estresse para manter uma adaptação positiva e melhorar a capacidade do joelho dos pacientes se moverem novamente.

A sobrecarga imposta na forma de exercício ajuda na recuperação da articulação patelofemoral, mas ela precisa ser aplicada na quantidade correta.

Por exemplo, se estamos com dor de cabeça e tomamos duas aspirinas, a dor de cabeça provavelmente irá passar.

Isso acontece porque nós usamos a dose certa o remédio.

Se você está sentindo uma dor de cabeça e toma uma cartela inteira de aspirina, você pode morrer.

Dose errada. A escolha da aspirina não estava incorreta para o seu problema, a culpa foi mesmo do excesso de medicamento ingerido.

O mesmo vale para o exercício e para a reabilitação da articulação patelofemoral.

Precisamos achar a dose correta de exercício capaz de ajudar na recuperação da articulação.

Nós já mencionamos anteriormente que a SDP tende a não melhorar sem nenhum tipo de tratamento, e como também comentamos diversas vezes, estresse em excesso também não é bom.

Em outras palavras, o excesso de estresse pode acabar fazendo com que a situação se torne ainda pior.

No entanto, uma quantidade insuficiente de sobrecarga na articulação pode ser igualmente danosa.

Vamos considerar um ponto de dor, a partir do qual todas as atividades realizadas se tornam dolorosas, e vamos explicar três situações diferentes com três atletas distintos.

Na primeira situação, temos o atleta que evita toda e qualquer atividade que causa dor no joelho.

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Temos, então, uma quantidade insuficiente de sobrecarga para gerar uma adaptação positiva na articulação.

Ou seja, o atleta não está aplicando estresse suficiente na articulação patelofemoral para que a dor seja reduzida.

Na segunda situação, temos um atleta que tende a ultrapassar o seu limiar de dor com frequência e tende a ignorar a dor por muito tempo.

Ao longo do tempo, da mesma forma que o atleta que está fazendo muito pouco, a dose do exercício em exagero também faz com que a dor persista, ou muitas vezes, até piore. Novamente, a dose do exercício está errada.

Por fim, temos o terceiro atleta, que trabalha sempre no seu limiar de dor. Assim, ao longo do tempo, o limiar de dor reduz gradativamente.

Na medida em que ele reduz, a dor reduz, e o atleta consegue trabalhar em uma intensidade ligeiramente maior.

Esse ciclo se repete e o atleta gradualmente aumenta novamente a capacidade do joelho, e consegue fazer cada vez mais atividades e exercícios com um nível cada vez menor de dor.

Um fator chave nessa equação é que o atleta estava trabalhando com algum nível de dor o tempo todo.

Existe uma quantidade significativa de pesquisas mostrando que alguma dor durante o exercício de reabilitação é permitida, e que os pacientes tendem a melhorar ao longo do tempo.

Trabalhar com alguma dor durante o exercício pode resultar em melhores ganhos em curto prazo, em comparação à realização dos exercícios de reabilitação sem nenhuma dor.

Talvez isso aconteça devido à aplicação da dose correta de estresse na articulação patelofemoral.

Determinar a quantidade certa de dor para trabalhar, é uma área cinzenta da reabilitação e muito desafiadora para fisioterapeutas e pacientes.

Determinar o quanto de dor é benéfico durante a reabilitação é mesmo muito difícil.

Antes de iniciar qualquer tipo de programa de reabilitação, deve existir uma conversa entre paciente e fisioterapeuta, de forma a determinar a dose correta de exercício.

Alguns princípios básicos para determinar qual dor é adequada durante exercícios de fisioterapia são:

  • A dor deve ser mínima, ou menor do que três em uma escala de zero a 10 durante o exercício;
  • Os níveis de dor devem retornar à valores basais após o exercício, e no dia seguinte a ele;
  • A dor e a funcionalidade devem estar melhorando ao longo dos dias de treinamento.

Se esses pré-requisitos não estão sendo alcançados, algo precisa ser modificado, pois a dose está inadequada.

Se eles estão sendo atingidos, estamos no caminho certo. É um processo experimental que é aperfeiçoado com a prática.

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Devemos manter em mente, no entanto, que aplicar um exercício de reabilitação corretamente é como tentar acertar um alvo em movimento.

A dificuldade do exercício irá mudar ao longo do tempo com base em como o corpo está respondendo a eles.

Para recapitular:

  • A capacidade da articulação patelofemoral em lidar com o estresse reduz após uma lesão;
  • As atividades normais que costumavam ser livres de dor agora produzem dor;
  • A dor é um processo normal feito para proteger o corpo e manter a segurança das estruturas;
  • Restaurar a capacidade do joelho e eliminar a dor envolve encontrar a dose adequada de exercício;
  • O estresse, na forma de exercício, ajuda a reduzir a dor;
  • Trabalhar com pequenos níveis de dor pode ser benéfico para ajudar na reabilitação completa;
  • A quantidade de dor que é sentida durante e após um exercício irá ajudar a guiar a intensidade do exercício ao longo do tempo.

Agora que sabemos o que acontece quando nós sentimos dor no joelho, chegou a hora de descobrir como nos livramos dela!

O próximo capítulo dessa série abordará como se livrar da dor na SDP.

Adaptado