Como Usar Corrente Interferencial e Ter Resultados Expressivos?

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Corrente Interferencial

ELETROTERAPIA – Corrente Interferencial e a TENS

Aprofundando-nos um pouco mais no nosso estudo sobre as correntes elétricas e suas aplicações terapêuticas, chegamos a um tipo de corrente muito conhecida e utilizada pelos fisioterapeutas: a corrente interferencial.

Nunca ouviu falar? Talvez se dermos o exemplo mais famoso deles, o queridinho TENS, alguma luz acenda aí na sua cabeça.

Como explicado anteriormente, essa série é para você, fisioterapeuta, que não se contenta em ser apenas um técnico que aperta alguns botões em um aparelho e torce pelo melhor. É para você que deseja possuir um conhecimento aprofundado da técnica que aplica em seu paciente, e que sabe o porquê de ser das coisas.

Para isso, alguma teoria é necessária antes da prática.

Vamos lá!

As correntes interferenciais são correntes de média frequência – 1000Hz a 5000 Hz, e são, em geral, alternadas, retificadas ou não.

Cada impulso de uma corrente contínua ou alternada, causa uma despolarização da fibra nervosa sempre que a duração ou a intensidade do pulso sejam suficientes para disparar o potencial de ação.

O nervo periférico gera potencial de ação a um ritmo sincrônico de frequência. Se a frequência aumenta, a despolarização aumentará. A fibra nervosa tem uma frequência de despolarização máxima, determinada pelo seu período refratário.

Para as fibras mielinizadas, a frequência máxima oscila entre 800 e 1000 Hz.

Durante a estimulação elétrica com frequências superiores a 1000 Hz, certo número de pulsos será produzido durante o período refratário. Dependendo da duração do período refratário, o nervo periférico não reagirá a todos os impulsos, fazendo com que a frequência de despolarização seja diferente da frequência da corrente – despolarização assincrônica.

Isso nos leva a um conceito importante na aplicação da corrente interferencial, chamado de EFEITO GILDEMEISTER, o qual nos diz que quanto mais alta a intensidade da corrente, mais curto é o tempo efetivo da mesma.

Após cada ciclo de corrente alternada, a diferença de potencial diminuirá ligeiramente e se aproximará do valor do limiar de disparo. Após certo número de ciclos (após certo tempo efetivo) se chega ao valor do limiar, o que produz uma despolarização da fibra nervosa.

Outro conceito importante é o da INIBIÇÃO DE WEDENSKY. Segundo esse conceito, se durante a estimulação, um ou mais pulsos coincidem com o período refratário, a repolarização de uma fibra nervosa é mais difícil. A volta do potencial da membrana para o seu estado de repouso leva então mais tempo sempre que isto acontece, até que finalmente não acontecerá. Desse modo, a estimulação contínua com uma corrente de frequência média, pode conduzir à inibição da reação ou a um bloqueio completo enquanto durar a estimulação.

Na prática, a terapia interferencial é feita com duas frequências de correntes: 4000 Hz ou 4250 Hz (ajustada). A superposição de uma corrente sobre a outra se denomina interferência.

A corrente interferencial pode ser aplicada através de dois ou quatro eletrodos, dependendo do tamanho da área a ser tratada.

As correntes alternadas de média frequência (maior frequência e ausência de propriedades polares) são mais adequadas para tratar os tecidos profundos. A resistência dos tecidos diminui com o aumento da frequência. Isto se deve ao fato de que as interfaces entre os diferentes tipos de tecidos e entre as membranas, não resultam em maiores permeabilidades, mas sim em um acúmulo de íons nas interfaces, com desenvolvimento de uma diferença de potencial oposta à voltagem aplicada. (polarização eletrolítica).

Portanto, a maior eficácia das correntes de média frequência se deve tanto à maior condutividade por menor resistência capacitativa da pele, quanto à ausência dos efeitos polares (galvânicos).

Os principais efeitos da corrente interferencial é a estimulação seletiva das fibras aferentes mielinizadas (analgesia) e a normalização do balanço neurovegetativo (relaxamento e melhora da circulação).

A intensidade da corrente interferencial deve ser ajustada de acordo com a progressão da terapia, devido ao fenômeno conhecido como “acostumação”, a partir do qual o indivíduo se habitua ao estímulo elétrico, que pára de surtir efeito ao longo do tempo.

Estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS)

A estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) é a modalidade de eletroterapia mais usada para produzir alívio da dor. É popular por não ser invasiva, ser fácil de administrar e ter poucos efeitos colaterais ou interações medicamentosas.

A TENS pode ser usada em diversos casos, tanto no alívio da dor aguda (pós operatória, obstétrica, dismenorréica, musculoesquelética…) quanto no alívio da dor crônica (osteomusculares, inflamatórias, lesões nervosas, anginas pectoris, neuralgias…). Outros usos incluem o uso da TENS com efeitos antieméticos (redução de náusea pós-operatória associada com medicamentos opioides, náusea associada com quimioterapia, enjoo matinal e enjoo por movimento/viagem) e o uso para a melhora do fluxo sanguíneo (redução da isquemia devido à cirurgia reconstrutiva, redução dos sintomas associados com doença de Raynaud, neuropatia diabética e melhora da regeneração de feridas e úlceras).

Existem basicamente três tipos de TENS utilizados na prática clínica:

  • TENS convencional;
  • TENS acupuntura;
  • TENS breve-intensa.

TENS Convencional

O primeiro deles e mais conhecido é o TENS convencional. Essa modalidade objetiva a ativação de fibras aferentes cutâneas não nociceptivas de grande diâmetro, produzindo efeito analgésico semelhante ao de esfregar o local lesionado, através do mecanismo das comportas.

Atua nas fibras alfa-beta dos mecanorreceptores cutâneos. Fornece uma sensação de forte parestesia elétrica, porém em nível confortável, com mínima ativação muscular. É utilizado em altas frequências, porém em intensidades baixas.

Tem efeito rápido, em até 30 minutos. Os eletrodos são colocados sobre o local de dor e a terapia pode durar enquanto persistirem os sintomas.

Parâmetros:

  • Amplitude de onda: baixa
  • Duração da onda: 100 a 200 microssegundos
  • Frequência: 100 a 200 pps
  • Padrão de pulso: contínuo

TENS Acupuntura

Essa modalidade de TENS atua nas fibras aferentes motoras, produzindo abalo muscular fásico e levando à ativação de fibras aferentes musculares não nociceptivas de pequeno diâmetro.

Atua nos receptores GIII e alfa-beta ergorreceptores. Produz contração muscular forte, porém confortável. É utilizado em baixa frequência e alta intensidade.

É também utilizado sobre o ponto doloroso, no ponto motor da musculatura a ser estimulada. Demora um pouco mais para fazer efeito, porém este permanece por mais tempo após o término da terapia. Pode ser usado por cerca de 30 minutos por sessão.

Parâmetros:

  • Amplitude da onda: alta
  • Duração da onda: 100 a 200 microssegundos
  • Frequência: 100 pps
  • Padrão: pulsado

TENS Breve-intensa

A última modalidade de TENS é utilizada para a ativação das fibras cutâneas aferentes de pequeno diâmetro sensíveis ao toque.

Atua nos receptores alfa-gama e nos nociceptores.

A intensidade deve ser mantida próxima da máxima intensidade tolerável, com mínima contração muscular. A frequência utilizada também é alta.

É também aplicada sobre o local da dor. Seu efeito é tão rápido quanto o do TENS convencional e dura por mais de uma hora após a sessão. A aplicação dura cerca de 15 minutos.

Parâmetros:

  • Amplitude de onda: a maior possível, de acordo com a tolerância
  • Duração da onda: maior que 1000 microssegundos
  • Frequência: 200 pps
  • Padrão: contínuo

Indicações para a aplicação adequada do TENS

  1. O primeiro passo da terapia é verificar se o paciente possui alguma contra indicação;
  2. Teste a sensibilidade do paciente antes de iniciar a terapia;
  3. Ajuste os parâmetros e conecte os eletrodos ao paciente com o aparelho desligado;
  4. Ligue o aparelho após ter certeza de que tudo está conectado e devidamente acoplado ao paciente;
  5. Aumente a intensidade de forma gradual, observando sempre a reação do paciente;
  6. Ao final da terapia, reduza gradualmente a intensidade até a sensação desaparecer por completo;
  7. Desligue o aparelho antes de desconectar os eletrodos.

Concluindo…

Por fim, a TENS é uma técnica amplamente utilizada pelos fisioterapeutas para o tratamento da dor, por ser barata, segura e de fácil aplicação.

O mecanismo de ação e o perfil analgésico da TENS acupuntura e da TENS breve-intensa são diferentes dos da TENS convencional, podendo estas serem utilizadas quando a TENS convencional não for efetiva no manejo da dor do paciente.

Porém, como toda técnica fisioterapêutica, seu sucesso depende da sua correta aplicação, por isso a importância de o fisioterapeuta saber os princípios por trás da sua utilização. O entendimento do paciente em relação à terapia também é fundamental para a sua eficácia!

Você pode conferir abaixo, nossos outros posts sobre eletroterapia:

Referência: BASEADA, Prática; KITCHEN, Sheila; KITCHEN, Sheila. Eletroterapia : Eletroterapia : Prática Baseada em Evidências. [S.l: s.n.], [S.d.]. .8520414532.