Como Aprimorar a Estabilidade Articular Através do Treinamento

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Como Aprimorar a Estabilidade Articular Através do Treinamento

Tudo o que o Fisioterapeuta deve saber sobre Estabilização Articular – Parte 2

Nota: Esta é a segunda parte de uma série sobre Estabilidade Articular. Se está chegando agora, leia a primeira parte em que falamos sobre Como Tratar Uma Articulação.

As articulações são elementos tão importantes para o movimento e protagonizam muitas situações patológicas. Por este motivo, o profissional que trabalha com movimento deve dedicar muita atenção a elas.

Este é um tema muito importante e que merece ser discutido um pouco mais a fundo.

Falaremos então um pouco mais sobre a estabilidade articular e quais são as melhores formas de trabalhá-la nas sessões e principalmente sobre como aprimorar a estabilidade articular através do treinamento.

O que confere estabilidade às articulações?

Nós já izemos um texto inteiro sobre isto, mas apenas para relembrar, a estabilidade de uma articulação depende basicamente de três fatores:

  • Do tamanho, da forma e do encaixe das superfícies que formam a articulação;
  • Dos ligamentos ao redor da articulação;
  • Dos músculos ao redor da articulação.

A Estabilidade é definida como a capacidade de uma estrutura de resistir ao movimento. No caso, estabilidade articular seria então, a capacidade da articulação de resistir ao movimento gerado pela contração muscular, ou mesmo por forças externas.

A princípio, parece que a estabilidade é o oposto da mobilidade, que é a capacidade de uma estrutura em produzir movimento.

Esses dois conceitos são complexos e intimamente interligados. O ideal é achar um equilíbrio entre os dois e daremos foco a esse equilíbrio em um próximo texto.

No momento, vamos focar a nossa discussão na estabilidade articular e em como podemos aprimorá-la através do treinamento, seja em condições fisiológicas, seja em um contexto de lesão articular.

Como conseguimos melhorar a estabilidade articular com o treinamento?

A partir da explicação da origem da estabilidade articular, conseguimos pensar, de forma preliminar, em maneiras de treinar a estabilidade articular.

Isso porque uma articulação fica instável quando um dos três fatores responsáveis pela sua estabilidade é prejudicado. Ou seja, se houver algum problema com a conformação da articulação, com os ligamentos ou com os músculos, teremos redução da estabilidade articular.

Como o sistema articular é um sistema fechado, não podemos isolar um componente do outro. Se os músculos estão enfraquecidos, todo o sistema sofre. O lado bom é que conseguimos, de certa forma, compensar o que falta em um elemento, aprimorando a função do outro.

O elemento responsável pela estabilidade articular que é mais fácil de ser trabalhado é o músculo.

Os músculos conseguem compensar a estabilidade articular quando existe problema de encaixe articular ou problemas nos ligamentos.

Mas é evidente que eles só conseguem ir até certo ponto.

Por isso, precisamos pensar na articulação como um todo, e não nos seus elementos em separado.

Assim, conseguimos fortalecer nossas articulações e torná-las resistentes à lesões, que são movimentos indesejáveis, porque afinal de contas, é pra isso que a estabilidade articular serve!

Exercícios para aprimorar a estabilidade articular

A forma mais fácil de melhorar a estabilidade articular é treinando os tecidos ao redor da articulação, principalmente os músculos.

Dessa forma, esses músculos mantêm um tônus aumentado em repouso e possuem uma maior ativação no movimento, controlando melhor o movimento articular, protegendo os ligamentos e conferindo maior estabilidade à articulação.

De forma análoga, a fraqueza muscular ao redor de uma articulação pode levar à instabilidade desta, deixando o segmento mais susceptível a lesões.

É claro que um treino para estabilidade articular envolverá treino de mobilidade, principalmente porque precisamos de um equilíbrio no funcionamento desses dois mecanismos para o movimento eficiente, mas focaremos aqui no treinamento para a estabilidade.

Quando estamos objetivando o fortalecimento articular com o objetivo de ganho de estabilidade, alguns exercícios podem ser realizados, tais como:

  • Exercícios de apoio: exercícios de apoio são bons para fortalecimento articular, pois eles “travam” a articulação em seu ponto de maior estabilidade mecânica e trabalham os músculos de forma isométrica exatamente nessa posição.

Como o fortalecimento isométrico é posição-específico, nós temos uma relação ótima entre força muscular e estabilidade mecânica nos exercícios de apoio. Além disso, esse tipo de exercício, principalmente quando associado à cargas, auxilia no fortalecimento dos ossos, o que também é útil na prevenção de lesões e na estabilidade articular.

  • Exercícios de apoio parciais: esses exercícios são semelhantes aos de apoio. No entanto, nesses casos, deve-se executar algum movimento próximo ao final da amplitude de movimento. Dessa forma, trazemos para o movimento, os tendões e os ligamentos, trabalhando um pouco mais outras estruturas de estabilização e não apenas os músculos. Esses exercícios são mais difíceis de serem realizados e exigem uma força muscular boa para sua realização, portanto, é melhor começar com os exercícios de apoio antes de partir para os exercícios de apoio parciais.
  • Treinamento em outras direções de tração: a maioria dos treinos musculares envolve ir contra a gravidade, mesmo quando utilizamos cargas externas, ou seja, as articulações são treinadas para resistir à força, empurrando de cima para baixo, sempre.

Treinar as articulações em direções diferentes aumenta a sua estabilidade e as prepara para quaisquer condições adversas, onde forças externas são aplicadas.

Para esse tipo de treino, podemos utilizar cabos, exercícios isométricos com carga ou com o peso do próprio corpo, pois dessa forma conseguimos brincar com os ângulos articulares e treinar a linha de força da forma como se desejar, saindo dos tradicionais treinos com halteres e conferindo uma estabilidade maior à articulação.

  • Treino neuromuscular e proprioceptivo: ambos os treinos são fatores chave no treino de estabilidade articular. O controle neuromuscular é a resposta inconsciente do organismo aos movimentos articulares, que somado ao controle proprioceptivo, nos permite formular respostas rápidas à mudanças de direção, amplitude e velocidade dos movimentos articulares. Dessa forma, exercícios proprioceptivos treinam a capacidade das articulações a se adaptarem a diferentes estímulos, aumentando assim a sua estabilidade e prevenindo lesões.
  • Uso correto das articulações: esse item envolve não só o treinamento, mas sim todos os aspectos da vida do indivíduo. Devemos sempre encontrar um equilíbrio entre usar demais e não usar uma articulação. Caso a articulação seja pouco utilizada, ela tende a ser fraca e instável. Quando utilizada em demasia, elas se desgastam, inflamam e ficam mais propensas a lesões. Ou seja, o equilíbrio aqui é fundamental para adquirir uma estabilidade articular ideal.

O tipo de treino dependerá sempre da avaliação inicial do fisioterapeuta, do paciente, dos seus objetivos, do seu nível funcional e é claro, das estruturas lesionadas.

No entanto, sempre se deve indicar um treinamento que seja uma combinação das técnicas apresentadas aqui para que a estabilidade articular seja trabalhada de formas diversas, o mais próximo possível das condições que o paciente encontra no seu dia a dia, ou mesmo das condições de quem pratica algum esporte.