Iontoforese: Tudo o que você precisa saber

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Iontoforese: Você Sabe Para Que Serve?

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A Iontoforese nada mais é do que a utilização da corrente elétrica, no caso, a corrente galvânica, para a transmissão de medicação até uma área alvo, aumentando a absorção transcutânea de drogas ionizáveis.

Esse recurso serve como um veículo que pode potencializar a administração transdérmica de uma droga da mesma maneira que uma seringa hipodérmica.

Princípios básicos

As drogas ionizáveis incluem os esteroides anti-inflamatórios e os anestésicos locais, que devem ser prescritos por um médico.

Quando estes medicamentos são colocados em solução eletrolítica eles se dissociam em componentes polares que são eletricamente carregados, ou seja, que assumem carga positiva ou negativa, e, dependendo do átomo, podem perder ou ganhar elétrons.

Dessa forma, seguindo a famosa lei “os opostos se atraem”, íons positivamente carregados (cátions) são atraídos pelo pólo negativo, enquanto íons negativamente carregados (ânions) são atraídos para o pólo positivo.

Por outro lado, a repulsão eletrostática de cargas iguais é a força motriz para a Iontoforese.

Um exemplo de sua utilização está na preparação anti-inflamatória de fosfato sódico de dexametasona. Esta substância se ioniza em solução aquosa para formar o íon fosfato de dexametasona, carregado negativamente, e o íon sódio, carregado positivamente.

Outro exemplo é o uso de cloridrato de lidocaína, que possui carga iônica positiva em solução aquosa -2%.

A identidade polar da droga determina a polaridade do eletrodo usado para conduzir o íon na direção dos tecidos subjacentes.

O eletrodo que contém ou sobrepõe a droga é tipicamente referido como o eletrodo ativo ou de distribuição, o eletrodo oposto é referido como eletrodo de retorno ou dispersivo.

Iontoforese

Parâmetros para o uso da Iontoforese

Assim como toda prescrição de eletroterapia, o uso da iontoforese possui parâmetros específicos para sua utilização.

  • A Iontoforese é comumente realizada utilizando-se a corrente contínua galvânica.
  • A amplitude de corrente utilizada é de 0 a 5 mA, dependendo do objetivo da terapia.
  • A duração total da terapia é de 10 a 40 minutos e tem relação inversamente proporcional à amplitude da corrente. Quanto maior a amplitude, menor a duração total da aplicação, pois a tolerância da pele a amplitudes mais altas é bem menor.
  • A dosagem total da corrente deve estar entre 40 e 80 mA por minuto, expresso em mA-min.

Veja um exemplo sobre as relações da amplitude da corrente pelo tempo da terapia: uma dose de 40 mA/min é igual a 4,0 mA, quando o tempo de tratamento é de 10 minutos. Já uma de 30 mA/min equivale a 2,0 mA, com uma intervenção de 15 minutos.

A dose de droga iontoforética típica é de 40 mA/min, mas pode variar de 0 a 80 mA/min, dependendo da medicação aplicada.

O uso da corrente contínua na Iontoforese

O uso da corrente contínua na Iontoforese é necessário, pois esta corrente cria um campo eletrostático unidirecional constante entre os eletrodos, o que permite a transmissão ininterrupta da droga em solução.

Outro aspecto na utilização da corrente contínua particularmente importante durante a iontoforese são os efeitos eletrofisiológicos e clínicos específicos que ocorrem sob cada eletrodo.

Em conjunto, toda a técnica se propõe a promover, dentre outros efeitos:

  • Tratar hiperidrose das mãos e pés.
  • Vasodilatação, principalmente quando associada a produtos que contenham iodo.
  • Analgesia local.
  • Cicatrização de feridas, especialmente com o uso de zinco na formulação do fármaco.
  • Relaxamento muscular, com o uso da famosa lidocaína.

A amplitude de corrente exata usada durante um tratamento de iontoforese é ditada por vários fatores, incluindo a tolerância do paciente, a polaridade do eletrodo ativo, o tamanho do eletrodo ativo, e a duração do tratamento.

Em relação à duração da terapia, existem estudos com tempo variados. Estudos com durações curtas como cinco minutos e longas como várias horas, não demonstraram efetividade diferentes, porém com maiores riscos para grandes amplitudes de corrente contínua.

Lembrando que a extensão do tempo em que a corrente é aplicada é inversamente proporcional à magnitude da corrente, ou seja, para maiores tempos de terapia, menores intensidades devem ser utilizadas.

Corrente de amplitude maiores — 4 mA — são aplicadas por tempo mais curtos.

A densidade da corrente é configurada pela magnitude da corrente aplicada, ou intensidade, (mA) dividida pela área de superfície contadora do eletrodo (cm²).

A densidade de corrente na Iontoforese não deve exceder 0,5mA/cm², tendo como base primariamente a tolerância do paciente.

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Eletrodos

Os eletrodos utilizados para a aplicação da Iontoforese são de metal, podendo este ser alumínio, estanho, ou cobre, cobertos por um protetor, como EVA ou esponja, para a segurança do paciente.

Além disso, a área a ser tratada deverá ser higienizada sempre antes da realização da aplicação do recurso. A condição dessa região está intimamente relacionada ao resultado da terapia.

A exemplo da pele seborreia. Ela apresenta alguns elementos que são uma verdadeira barreira física à penetração do fármaco. Para esse tipo de cútis geralmente é preciso realizar esfoliações, peelings e desincrustações.

Já em relação às peles alípicas ou secas, o uso de compressas úmidas e mornas também são medidas opcionais para um maior preparo iontoforese.

Efeitos eletrofísicos de cada eletrodo

Assim como em toda corrente polar, cada eletrodo terá um efeito específico, considerando as suas propriedades elétricas:

  • Cátodo: Esse pólo atrai os íons positivos. Uma reação alcalina é gerada pela formação de Na0H, aumentando a excitabilidade nervosa através da despolarização.
  • Ânodo: Atrai os íons negativos. Uma reação ácida é gerada pela formação de HCl, reduzindo a excitabilidade nervosa através da hipopolarização.

tabela

Veja também:

Princípios gerais:

  1. Localizar a corrente de modo mais rigoroso possível para o emprego de pequenos eletrodos colocados diretamente sobre o local lesado.
  2. Empregar apenas intensidades fracas de correntes.
  3. Fazer o tratamento por períodos de apenas um mês, separados por duas a quatro semanas de repouso.
  4. Começar todo tratamento com uma semana de sessões diárias e continuar com três sessões por semana durante as três semanas seguintes.
  5. Solicitar que o paciente ingira, uma ou duas horas antes de cada sessão, quantidade apropriada da substância a ser ionizada.
  6. Nunca fazer uma sessão com duração inferior a trinta minutos.
  7. Empregar somente soluções fracas, porque a dissociação iônica é maior nestas do que em soluções com concentrações elevadas.

Cuidados e contraindicações

No uso terapêutico das correntes galvânicas, tanto através da galvanização quanto da Iontoforese, certos cuidados devem ser tomados para se evitar efeitos adversos.

O choque é um efeito possível das correntes galvânicas e se deve à equipamentos defeituosos, a eletrodos mal acoplados e à inversão da polaridade.

A inversão da polaridade é um recurso disponível em alguns aparelhos onde o fisioterapeuta programa a inversão da polaridade no meio da terapia, objetivando minimizar a despolarização da pele ou a redução brusca da intensidade durante o tratamento.

As queimaduras podem ser geradas também pelo acoplamento errôneo dos eletrodos, pela intensidade ou densidade excessiva da corrente, pela presença prévia de lesões cutâneas e por eletrodos defeituosos.

Algumas das contraindicações à utilização terapêutica das correntes galvânicas incluem: dissolução de continuidade ou lesão cutânea, infecção, superfície proeminências ósseas, redução ou perda de sensibilidade, pele seca e escamosa, problemas circulatórios.

Em tratamentos dermatológicos pode ser usada para: tratamento da calvície, combate à celulite, flacidez e gordura localizada, hiperidrose (transpiração excessiva), tratamentos antienvelhecimento, tratamento contra a acne, cicatrizes, rugas e estrias, hidratação da pele e estimulação da circulação.

Vantagens da Iontoforese

  • Quando aplicada corretamente é um método que causa menos dor.
  • A medicação é introduzida diretamente na área a ser tratada.
  • Em procedimentos dermatológicos é uma excelente alternativa para evitar as picadas de injeção.
  • Acelera os tratamentos, como para a hiperidrose idiopática.
  • Resolução de infecções mais específicas, com o uso de antibióticos em áreas avasculares.

Iontoforese e estética

Alguns agentes iônicos normalmente não conseguem passar a barreira da pele, como cremes aplicados diretamente sobre a pele em tratamentos dermatológicos.

Esses produtos geralmente precisam atingir as camadas mais profundas. A iontoforese pode assegurar que esses ativos cheguem até estas camadas através de uma corrente elétrica galvânica atuando na raiz do problema.

Para esse tratamento são utilizados eletrodos cilíndricos, esféricos e/ou de ponta. Eles exigem menor intensidade da corrente, uma vez que há maior concentração de energia que é estimada em 0,05 mA/cm². Os eletrodos de rolinho são mais usados para tratamentos corporais.

pele iontoforese

Microcorrente x Corrente Galvânica

As microcorrentes são também correntes diretas e de baixa intensidade, com finalidades semelhantes às da corrente galvânica, entretanto não é aplicável para realizar a iontoforese.

Esse tipo de corrente também não atinge o limiar nervoso. Logo, o paciente não sente essa corrente passando na pele. Diferente da corrente galvânica, em que é possível sentir a sensação de formigamento.

Então nesse caso é importante ficar atento à intensidade da corrente, já que cada indivíduo suporta um nível diferente.

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Dessa forma vimos que as correntes galvânicas, que se constituem em um recurso muito útil para o fisioterapeuta, são pouco exploradas pelos profissionais. É hora de pegar o conhecimento adquirido, se aprofundar e dispor de mais uma técnica para aumentar seu repertório de tratamento!

Referências:

Bisschop G, Bisschop E, Commandré F. Eletrofisioterapia. São Paulo (SP): Editora e Livraria Santos; 2001. P. 24-34.

Howard JP et al. Effects of alternating current iotophoresis on drug delivery. Arch Phisical Medicine of Rehabilitation, 1995.

Lecturas, Educación Física y Deportes Revista Digital. EFDeportes.com. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd204/iontoforese-como-recurso-fisioterapeutico.htm Acesso em: 13/12/2017.

Kitchen, Sheila. Eletroterapia: Prática Baseada em Evidências.