O Laser e o Ultrassom cairão em desuso?

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Recentemente, pesquisadores brasileiros desenvolveram um novo equipamento que, basicamente, reúne o laser e o ultrassom em um só. Foi no Centro de Pesquisas em Óptica e Fototônica (CEPOF) da Universidade de São Paulo (USP), que foi criado um aparelho capaz de emitir laser de baixa intensidade e ultrassom terapêutico.

Outro detalhe superinteressante da pesquisa é o tratamento da fibromialgia com foco nas mãos.
Qual deve ser o futuro dos nossos aparelhos tradicionais utilizados há tantos anos?

Você já imaginou quais as vantagens e as desvantagens disto?

O ultralaser, que estava em fase de teste no meio do ano passado, chegou ao mercado nacional no início desse ano.

Trata-se de um protótipo desenvolvido no Instituto de Física da USP. Ele tem o formato de um ultrassom convencional, mas emite uma luz vermelha — característica do laser visível (com menor comprimento de onda).

Um híbrido, propriamente dito, do laser e do ultrassom.

Na realidade, em 2014 o aparelho que conjuga as duas ondas já havia sido desenvolvido e testado em pacientes com artrose nas mãos.

Os pesquisadores, desde essa época, acreditavam na sinergia entre essa onda eletromagnética e a onda mecânica.

Segundo eles, o ultrassom exige que o tecido seja capaz de responder aos estímulos, logo, que tenha algum grau de função.

Já a laserterapia é mais passiva, sua ação, por si só, já é uma terapia completa.

Depois de testado exaustivamente, os estudiosos observaram melhora da dor, da funcionalidade e da coordenação motora fina das mãos das voluntárias.

Como utilizar o aparelho de laser com ultrassom?

O aparelho foto sônico só foi testado em duas regiões: no trapézio superior e na palma da mão.

A motivação da sua criação foi um novo protocolo para o tratamento da fibromialgia, uma doença reumatológica.

No estudo, ele foi aplicado por três minutos nos pontos específicos de dor.

Foram seguidos alguns princípios básicos da laserterapia, como manter o dispositivo irradiando em um ângulo de 90° na área afetada.

Para garantir uma boa absorção da energia — já que o diferencial desses recursos fotobiológicos é o seu alcance em estruturas profundas — foi utilizado gel à base de água na superfície cutânea do voluntário.

Os movimentos a serem realizados pelo fisioterapeuta são também similares aos do ultrassom, com um contato e um trajeto circular, lento e suave.

O programa completo foi de dez sessões, na frequência de duas vezes por semana.

Como definir os parâmetros do ultralaser?

Foi utilizado um comprimento de onda de 660 nm (luz visível, para condições superficiais que é o que se trata na fibromialgia), no modo contínuo, potência de 100 mW (variando entre 5 e 500 mW) e densidade de 60 W/cm2(valor condizentepara analgesia).

O Laser e o Ultrassom cairão em desuso? Descubra o aparelho Foto Sônico!

Para o ultrassom: modo pulsado, frequência de 1 MHz (alcance mais profundo que o laser), 100 Hz e 50% de ciclo de trabalho (para condições agudas) em uma intensidade de 0,5 W/cm2.

Você se lembra do significado desses parâmetros do ultrassom?

Em primeiro lugar, o fisioterapeuta utiliza o ultrassom na frequência de 0,75 a 5 MHz, porque os valores de 5 a 10 MHz são utilizados em diagnóstico médico.

Quanto maior a frequência do ultrassom (nessa faixa de 0,75-5 MHz), menor é o comprimento de onda e maior a absorção pelo tecido, provocando também um aumento de temperatura.

Mas nem sempre essa absorção é desejada, já que o objetivo é a penetração da onda.

A frequência de 100 Hz e o ciclo de 50% são parâmetros comuns para lesões agudas. Em muitos aparelhos, nem é possível modificar esses valores.

E, por fim, é a vez de definir a intensidade, ou seja, a quantidade de energia emitida em certa área (em W/cm2).

Quanto maior a intensidade, maior o efeito térmico.

E conhecer o que o efeito térmico gera, especialmente nos fibroblastos, é obrigação do fisioterapeuta.

Quando colocamos o ultrassom no modo pulsado, a intensidade varia devido aos ciclos de trabalho e repouso.

 E também não deve haver variação de temperatura no membro do paciente nesse modo.

Existem alguns mecanismos biofísicos envolvidos na utilidade do ultrassom, os quais não serão explicados aqui, já que o nosso foco é o curioso ultralaser.
(Comente lá embaixo, caso tenha interesse em um post só para o ultrassom).

Resultados promissores do aparelho foto sônico

O laser, isoladamente, tem como resultado uma ação anti-inflamatória e analgésica com a ocorrência de uma modulação enzimática, alteração estrutural e funcional das mitocôndrias que, por fim, gera produção de adenosina trifosfato — o famoso ATP.

Já o ultrassom, de modo geral, promove alívio da dor com ação térmica e alteração da velocidade da condução nervosa.

Nessa pesquisa, o “campo ultrasônico sobreposto à radiação luminosa”, como definiram os pesquisadores, mostrou-se certamente superior ao laser.

Mas quando comparado ao ultrassom, não apresentou diferença, exceto no desfecho funcionalidade — na qual 57,72% da amostra melhorou com o novo aparelho.

Essa medida foi mensurada com o Questionário de Impacto na Fibromialgia (FIQ).

Em relação à diminuição da dor, o aparelho foto sônico foi superior, tanto ao laser quanto ao ultrassom (em 63,31%).

Esta medida foi avaliada pela Escala Visual Analógica (EVA), muito utilizada na prática clínica do fisioterapeuta.Os resultados foram ainda mais expressivos quando o recurso foi aplicado nas mãos: diferença de 75,37% na diminuição das queixas álgicas.

Conheça o protocolo em fibromialgia voltado para as mãos

A fibromialgia, condição de saúde na qual o ultralaser foi inicialmente testado, é uma doença crônica caracterizada por ocorrência de dor em alta intensidade por um período superior a 3três meses, sem relação com as articulações.

Ocorre também fadiga intensa nessa população.

O tratamento dessa patologia é a via farmacológica, com a administração de analgésicos, anti-inflamatórios e antidepressivos.

Mas a abordagem multidisciplinar é essencial, até porque não se sabe ainda a causa dessa doença, o que abre espaço para diversas teorias (como a ingestão de glúten colaborando com a etiologia).

O tratamento fisioterapêutico tradicional para a fibromialgia, visa o controle da dor, o que comumente se faz por meio da terapia manual nas queixas álgicas, além dos próprios recursos eletrotermofotobiológicos, para cada fase do plano de tratamento.

Outro componente fundamental da terapia para a fibromialgia é o exercício físico, que pode atenuar a fadiga.

Os exercícios melhoram a neurotransmissão inibitória, regulam o Sistema Nervoso Autônomo e melhoram a atividade mitocondrial (o que é inicialmente realizado com o laser).

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Por que utilizar o aparelho foto sônico nas mãos?

Alguns autores declaram que as mãos de portadores da fibromialgia têm um número maior de fibras sensitivas localizadas nas palmas das mãos.

Elas causam irregularidade no fluxo sanguíneo periférico e cerebral o que impacta nos tecidos e contribui para o surgimento da dor, além de alterações metabólicas do organismo desregulado, que está sempre demandando muita energia (o que gera fadiga).

Inclusive, algumas pessoas com fibromialgia têm de fato manchas avermelhadas nas palmas das mãos. Daí o motivo de utilizar o ultralaser, para promover homeostase sistêmica por meio da aplicação do recurso nas mãos.

E detalhe: o aparelho também foi testado nos pontos clássicos de dor dos portadores de fibromialgia.

Mas os resultados não foram tão bons como esse estudo focado nas mãos.

Agora, o aparelho foto sônico está passando por testes para o seu uso na osteoartrite de joelho, mão e pé.

Então, fisioterapeuta, fique atento, já que mais pesquisas vêm por aí.

Devo adquirir um no futuro? Vantagens e desvantagens na aquisição do produto

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Vantagens

  • Agilidade do tratamento

Enquanto que para um tratamento completo, em que há necessidade de usar o laser e o ultrassom separadamente, pode demorar 10de dez a trinta semanas (ou mais, caso o paciente vá aos atendimentos de forma espaçada), o ultralaser abrevia muito e com a própria pesquisa vimos que a partir de cinco semanas os resultados já aparecem.

Nesse sentido, a reabilitação é acelerada e o fisioterapeuta pode partir imediatamente para a correção de outros achados — como a questão da fraqueza muscular e sedentarismo decorrente da dor e da fadiga, como barreiras ao exercício.

O paciente retorna suas AVD com maior rapidez e eficácia — já que a terapia que aborda as mãos está ligada com todos os sistemas e não somente com os pontos específicos de dor.

  • Portabilidade

O aparelho também foi pensado visando a portabilidade, ou seja, ele poderá ser usado, sem problemas, em atendimentos domiciliares e clínicas de estética também.

  • Custo x benefício

A depender da sua necessidade, é possível que o aparelho seja mais barato que comprar o laser e o ultrassom separadamente para a sua clínica.

  • Objetivos diferentes

Você pode estudar a possibilidade de colocar os parâmetros do laser para um objetivo e o ultrassom para outro objetivo — desde que ambos façam sentido na fase da lesão.

O fisioterapeuta precisa ter na ponta da língua todas as fases do processo inflamatório.

Desvantagens

  • Defeito no aparelho

Se por algum motivo, o seu aparelho for danificado, você perderá dois recursos de uma vez.

  • Contraindicações

O paciente também pode acabar tendo contraindicação para o laser, mas mantendo a indicação ao ultrassom, ou vice-versa; e perder o benefício de dois tratamentos.

  • Implicações futuras

Não é exatamente uma desvantagem, mas a inserção de um novo aparelho como recurso terapêutico pode produzir consequências ainda não totalmente elucidadas. Uma vez que não é um recurso invasivo, os riscos são bem menores, mas existem.

Isso então pode responder a nossa pergunta inicial:

O meu laser e o meu ultrassom ficarão obsoletos?

 Difícil afirmarmos uma projeção para o futuro com absoluta certeza, mas, só pela existência dessas desvantagens, provalvemente não.

Então fique tranquilo, porque o mais importante agora, em vez de adquirir o aparelho inovador apressadamente, é conhecer essa nova abordagem das fibras sensitivas nas mãos do seu paciente, porque você poderá entregar o melhor tratamento e respeitar a Prática Baseada em Evidência.

Outras tecnologias relacionadas ao laser não tão comuns nos ambulatórios

Apesar de ser uma grande novidade, e desenvolvida exclusivamente por brasileiros, o aparelho foto sônico não é o único a permitir que diferentes mecanismos físicos hajam de forma terapêutica em nossos pacientes.

Selecionamos quatro equipamentos, utilizados na dermatofuncional, em sua maioria, e nem todos disponíveis no Brasil, mas que são diferentes e pouco encontrados no dia a dia.

1. Híbridi

Aparelho Híbridi

O Híbridi une, em uma aplicação, o ultrassom com as microcorrentes, similar ao ultralaser.

No caso, o ultrassom pode chegar a 54 W e permite a aplicação da corrente russa, por exemplo, além de correntes polarizadas ideais para reparação tecidual.

2. Exilis Elite

Aparelho Exilis Elite

Permite aplicar o ultrassom e radiofrequência ao mesmo tempo em um só aparelho. A premissa da máquina é que, controlar o aquecimento e o resfriamento corporal, garante que a energia seja fornecida em níveis mais profundos do tecido.

3. Fotona TightSculpting

 Aparelho Fotona TightSculpting

Esse aparelho permite a aplicação de duas diferentes ondas de laser, em diferentes comprimentos de onda, ao mesmo tempo. É uma opção para a potencialização do tratamento, algo que, sobretudo na dermatofuncional e na fisioterapia desportiva é uma demanda constante.

Então ao utilizar um laser visível, o profissional permitirá um aumento na disponibilidade do ATP e melhora do metabolismo celular por meio da estimulação mitocondrial; em paralelo, a ativação concomitante do laser invisível faz um aumento na concentração do cálcio intraplasmático, desencadeando sinais ao núcleo celular e também melhora do metabolismo por essa via.

4. Fluence

Aparelho Fluence

Esse aparelho une o laser ao LED.

Ele possibilita terapias isoladas ou conjugadas, além do uso de várias canetas para o alcance de diferentes comprimentos de onda.

Dentre as condições de saúde que podem ser tratadas, tem-se: bursites, contusões, tendinites, terapia capilar, celulite, entre outros.

E então, se interessou por alguma novidade? A tecnologia, na maioria das vezes, age em favor de muitas áreas do conhecimento. Com a fisioterapia não é diferente.

Cabe ao profissional relembrar os conceitos para poder aplicar essa modernidade com coerência em sua prática clínica e consolidar-se na Prática Baseada em Evidência.

Referências bibliográficas:

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