Quando é a hora certa de dar alta para o seu paciente?

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Quando é a hora certa de dar alta para o seu paciente

“Caro Fisioterapeuta – Eu posso continuar daqui.” – Dirá o paciente

Sian Smale, uma fisioterapeuta australiana, escreveu este artigo em seu blog que traduzimos e adaptamos aqui, sobre sua experiência, relatando uma parte muito especial do tratamento do paciente – a hora de liberá-los ou seja, dar alta para eles.

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Ela trabalhou intensamente para ajudar uma população de pacientes e depois de investir tempo no desenvolvimento e progresso deles, ela se sentiu gratificada com um momento mágico quando eles foram até ela e  disseram : “Eu não estou 100% bem, mas eu sei qual é o meu problema, eu sei como fazer para melhorar e o que eu preciso agora é conseguir meus objetivos, mas posso assumir esta tarefa á partir daqui “.

Em primeiro lugar, ela não definiu “ser 100% livre de dores” como meta e, em segundo lugar, ela achava que quase todos sofrem de dor em algum momento.

O que ela sentia que era mais importante, era que os pacientes conseguissem levar suas vidas o mais  normal possível e da maneira que fosse o mais ideal para eles.

Assim este é um artigo reflexivo, sobre um valor que compõe o cerne do que os profissionais deveriam se esforçar para alcançar como fisioterapeutas – capacitar seus pacientes com o conhecimento e as habilidades necessárias para torná-los independentes .

Todos Pesquisam no Google….

A informação, nos dias de hoje, pode ser adquirida de muitas formas, em muitas fontes.

Não só os profissionais da saúde pesquisam, mas os seus pacientes também fazem isto e procuram se atualizar sobre sua condição de saúde. O problema, são as fontes que eles encontram, pois eles não têm o mesmo senso crítico e científico que o profissional tem que foi adquirido em anos de formação, para julgar o conteúdo daquilo que eles lêem.

Atendendo Com Responsabilidade

Acredito firmemente que os profissionais de saúde, assim como os fisioterapeutas, são  responsáveis por passar informações para os pacientes. Não basta somente realizar um trabalho  bem feito,  você também tem  que informar, explicar, e dar ferramentas para que eles continuem e otimizem seu cuidado fora do consultório.

Muito se tem falado sobre o empoderamento do indivíduo, sobre sua condição de saúde. Essa condição pode e deve ser estendida para os serviços de fisioterapia. Em um contexto de saúde pública, ou mesmo de escassez de recursos, o conceito de autonomia do indivíduo sobre sua saúde se torna ainda mais importante, como forma de reduzir gastos e gerir melhor o fluxo de pacientes na rede.

Sem contar o fato de que muitos pacientes não possuem condições, sociais ou financeiras, de se deslocar até um centro de tratamento especializado. É fundamental nessas situações, que o profissional seja capaz de alguma forma de instruir os pacientes da melhor forma possível, para que eles se tornem protagonistas do próprio cuidado.

A saúde do paciente está sob responsabilidade do profissional, mas para que o paciente possa compartilhar desta responsabilidade ele precisa ser orientado adequadamente pelo profissional responsável pelo seu tratamento.

O que adianta o médico receitar um remédio se o paciente não foi conscientizado da importância de tomá-lo?

O que adianta o fisioterapeuta fazer uma sessão eficiente de 60 minutos uma vez na semana, se o paciente não assume a responsabilidade de sair da mesma postura viciosa todos os dias por oito horas na cadeira de trabalho?

Assim, o profissional tem que prepara o paciente, atua em conjunto com ele para que o sucesso do tratamento seja eficaz e garantido.

Ninguém é Paciente Para Sempre

Não se tem pacientes eternos.

Algum dia eles irão receber alta, pois é inviável manter o paciente internado em um hospital para sempre para evitar a reinternação, ou fazer com que o paciente pague sessões de fisioterapia para sempre, apenas para prevenir alguma lesão.

Claro que, em alguns casos, condições para tal podem existir, mas na maioria delas a alta se faz necessária e tem-se que fornecer ferramentas para que o paciente não recaia em sua condição, ou pelo menos não precise do profissional com tanta freqüência.

Entra aí o pensamento da profissional citada acima, que vai ao encontro do que é a importância de dar aos pacientes o conhecimento e as habilidades necessárias que eles precisam para se tornarem independentes do cuidado profissional.

Quando um profissional ouve de um paciente que eles conseguem tomar as rédeas de seu próprio cuidado e que não precisam mais deles, deveria ser a melhor notícia para um fisioterapeuta focado em resultado, porque seu objetivo de tratamento foi atingido.

Isso pode acontecer antes de o paciente estar totalmente recuperado. Afinal de contas, ninguém está 100% o bem tempo todo, porque dores fazem parte do dia a dia de muitas pessoas.

O mais importante é que os pacientes possam realizar suas atividades diárias, suas tarefas laborais, de forma satisfatória, e que estejam funcionais.

Mas então, como chegar a esse ponto de independência do paciente?

4 Passos para Tornar o Paciente Independente

Passo #1 – Ajudando a Tomar a Direção Correta

Tudo começa, quando os pacientes procuram o profissional, quando a vida deles sofre alguma alteração devido à dor ou algum tipo de incapacidade que os impede de funcionar “normalmente”.

Essa fase é bem complicada; a de iniciar o tratamento, modificar padrões de movimento, alterar comportamentos já existentes, limitar certas atividades, nem que seja por pouco tempo e principalmente controlar a dor.

O primeiro passo é, então, mostrar ao paciente qual é o problema, traçar metas que o ajude a perceber o seu processo de recuperação, e o guiar durante a reabilitação até que eles atinjam o segundo passo.

Passo #2 – Comece a Assumir a Direção

O pensamento profissional deve ser: Sentarei ao seu lado nesta jornada para a recuperação, mas não o levarei até lá sozinho.

Esse passo é sobre reconhecer quais barreiras devem ser rompidas, ou quais metas precisam ser atingidas, antes que o paciente possa voltar a sua funcionalidade irrestrita.

Passo #3 – Agora é a Sua Vez de Dirigir

Nesse ponto, o paciente já deve ter desenvolvido um conhecimento sólido sobre como seus corpos se apresentam, se movem, se comportam, quando estão se sentindo bem ou se sentindo mal.

Desenvolver essa autoconsciência é um passo fundamental para entender melhor seus próprios corpos e identificar para onde sua reabilitação precisa ser direcionada  para que eles  retornem a 100% do seu objetivo.

Esse autoconhecimento é necessário para a passagem  ao próximo estágio, e para entender a direção que a reabilitação precisa tomar para a aquisição plena das capacidades anteriores.

Passo #4: Eu Não Sou Mais um Passageiro

Identificar o momento em que o paciente está bom o suficiente, e não precisa mais continuar o tratamento é difícil, mas extremamente necessário.

Quando o paciente chega ao consultório apenas com boas notícias, aproveitando plenamente a vida, é o momento de deixá-lo ir. É quando você como profissional tem que dizer para ele que ele não precisa mais de você, e ele responde: “Caro Fisioterapeuta, eu posso continuar daqui. Obrigado!”

Esse momento é extremamente gratificante.

É por essa frase que você deve trabalhar. É pelo impacto que você deixa na vida dos seus pacientes. É pela capacidade que você tem de ajudá-lo a retomar a sua vida de forma independente. Não tenha medo de deixar o seu paciente ir porque é  neste momento que você pode ter certeza de ter feito um ótimo trabalho!

Se você ama o que faz, você se sentirá muito bem!

É definitivamente triste dizer deixa-los ir às vezes, mas você tem que liberá-los.

E é muito bom ver pacientes que chegam sorrindo porque só têm boas notícias para relatar.

Eles estão jogando os esportes que eles amam, fazendo exercícios que querem fazer, não estão mais pensando em sua lesão ou sua parte do corpo comprometida e eles vêem a luz no fim do túnel.

Neste ponto você deve perguntar:  você ainda precisa da minha ajuda para chegar ao fim?      E é maravilhoso quando com um sorriso eles respondem: acho que eu posso continuar daqui.

Então, para os pacientes que compartilharam esses momentos com você, você só pode dizer, obrigado.

Obrigado, pelos meses que você investiu em sua própria vida.

Obrigado, por levar a reabilitação na direção que você escolheu.

Obrigado, pelas intermináveis ​​conversas abertas, resolução de problemas e estabelecimento de metas pessoais.

Obrigado por intensificar e ser a parte principal em sua própria história. Sem essa atitude, essa abordagem não seria possível.

E para vocês fisioterapeutas, ela diz: Não dê por certo o imenso impacto que podemos ter na vida de alguém como fisioterapeutas.

Nem por um segundo ache que pode ajudar a todos e que todo mundo vai chegar lá, no seu objetivo, você não pode ser tão ingênuo.

Mas você deve sim comemorar suas vitórias, porque elas fazem tudo valer a pena.

A jornada é sempre a sua recompensa!

Você pode encontrar em http://www.themanualtherapist.com/2017/11/dear-physio-i-can-take-it-from-here.html, o texto original deste artigo.

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