Você Sabe Como Usar TENS Corretamente?

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Depois de aprofundar um pouco mais no estudo sobre as correntes elétricas e suas aplicações terapêuticas, chegamos nas correntes interferenciais, cujo tipo mais famoso é o TENS. Neste artigo vamos te explicar tudo que você precisa saber sobre como usar TENS corretamente

Como explicado anteriormente, essa série é para você, fisioterapeuta, que não se contenta em ser apenas um técnico que aperta alguns botões em um aparelho e torce pelo melhor.

É para você que deseja possuir um conhecimento aprofundado da técnica que aplica em seu paciente, sabendo o porquê de cada parâmetro modulado.

Para isso, alguma teoria é necessária antes da prática.

Eletroterapia: Correntes Interferenciais e o TENS

As correntes interferenciais são correntes de média frequência (1000Hz a 5000 Hz) e podem ser, em geral, contínuas, alternadas ou retificadas.

Cada impulso de uma corrente contínua ou alternada causa uma despolarização da fibra nervosa, o que caracteriza a estimulação neuromuscular propriamente dita.

O nervo periférico gera o potencial de ação em um ritmo sincrônico de frequência.

Caso a frequência aumente, a despolarização também aumenta.

A fibra nervosa tem uma frequência de despolarização máxima determinada pelo seu período refratário.

Para as fibras mielinizadas, a frequência máxima oscila entre 800 e 1000 Hz.

Durante a estimulação elétrica com frequências superiores a 1000 Hz, certo número de pulsos é produzido durante o período refratário.

Dependendo da duração do período refratário, o nervo periférico não reagirá a todos os impulsos, fazendo com que a frequência de despolarização seja diferente da frequência da corrente, o que caracteriza uma despolarização assíncrona.

Isso nos leva a um conceito importante na aplicação das correntes interferenciais, chamado de Efeito Gildemeister, o qual nos diz que quanto mais alta a intensidade da corrente, mais curto é o tempo efetivo da mesma.

Após cada ciclo de corrente alternada, a diferença de potencial diminuirá ligeiramente e se aproximará do valor do limiar de disparo.

Com um certo número de ciclos (após certo tempo efetivo) é alcançado o valor do limiar, o que produz uma despolarização da fibra nervosa.

Outro conceito importante é o da Inibição de Wedensky.

Segundo esse conceito, se durante a estimulação, um ou mais pulsos coincidirem com o período refratário, a repolarização de uma fibra nervosa será mais difícil.

A volta do potencial da membrana para o seu estado de repouso, levará mais tempo, até que não haverá mais esse retorno ao repouso.

Desse modo, a estimulação contínua com uma corrente de frequência média pode conduzir à inibição da reação, ou a um bloqueio completo, enquanto durar a estimulação.

Na prática, a terapia interferencial é feita com duas frequências: de 4000 Hz ou de 4250 Hz.

A superposição de uma corrente sobre a outra se denomina interferência.

Em relação aos eletrodos, as correntes interferenciais podem ser aplicadas através de dois ou quatro eletrodos, dependendo do tamanho da área a ser tratada.

As correntes alternadas de média frequência (maior frequência e ausência de propriedades polares) são mais adequadas para tratar os tecidos profundos.

Outra consideração que devemos ter em mente é que a resistência dos tecidos diminui com o aumento da frequência. Isso se deve ao fato de que as interfaces entre os diferentes tipos de tecidos e as membranas, não resultam em maiores permeabilidades, mas sim em um acúmulo de íons nas interfaces, com desenvolvimento de uma diferença de potencial oposta à voltagem aplicada (polarização eletrolítica).

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Portanto, a maior eficácia das correntes de média frequência, se deve tanto à maior condutividade por menor resistência capacitiva da pele, quanto à ausência dos efeitos polares.

Os principais efeitos fisiológicos das correntes interferenciais são:

  • Estimulação seletiva das fibras aferentes mielinizadas 
  • Normalização do balanço neurovegetativo

Que consequentemente produzem os seguintes efeitos clínicos:

  • Analgesia
  • Relaxamento
  • Melhora da circulação local

A intensidade da corrente interferencial deve ser ajustada de acordo com a progressão da terapia devido ao fenômeno conhecido como “acostumação”, a partir do qual o indivíduo se habitua ao estímulo elétrico, que deixa de surtir efeito ao longo do tempo.

A eletroterapia, terapia com correntes elétricas, pode ser realizada com várias correntes como essas. Mas a partir de agora você vai conhecer melhor sobre o TENS.

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Estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS)

A estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) é a modalidade de eletroterapia mais usada para produzir alívio da dor.

É popular por não ser invasiva, ser fácil de administrar e ter poucos efeitos colaterais ou interações medicamentosas.

O TENS pode ser usado em diversos casos, tanto no alívio da dor aguda (pós operatória, obstétrica, dismenorréica, musculoesquelética, etc) quanto no alívio da dor crônica (osteomusculares, inflamatórias, lesões nervosas, anginas pectoris, neuralgias, entre outros).

Outros usos incluem o TENS com efeitos antieméticos (redução de náusea pós-operatória associada com medicamentos opioides, náusea associada com quimioterapia, enjoo matinal e enjoo por movimento/viagem).

Além disso, também é eficaz na melhora do fluxo sanguíneo (redução da isquemia devido à cirurgia reconstrutiva, redução dos sintomas associados com doença de Raynaud, neuropatia diabética e melhora da regeneração de feridas e úlceras).

Existem basicamente três tipos de TENS:

  • TENS convencional
  • TENS acupuntural
  • TENS breve-intenso

TENS Convencional

Essa modalidade preconiza a ativação de fibras aferentes cutâneas não nociceptivas de grande diâmetro, produzindo efeito analgésico semelhante ao de “esfregar o local lesionado” por meio do mecanismo das comportas.

Ela atua nas fibras alfa-beta dos mecanorreceptores cutâneos. Fornece uma sensação forte de parestesia elétrica, porém em nível confortável e com mínima ativação muscular. É utilizado com altas frequências, porém baixas intensidades.

Tem efeito rápido, em até 30 minutos. Os eletrodos são colocados sobre o local de dor e a terapia pode durar enquanto persistirem os sintomas.

Conheça os parâmetros do TENS convencional:

  • Amplitude de onda: baixa
  • Duração da onda: 100 a 200 microssegundos
  • Frequência: 100 a 200 Hz
  • Padrão de pulso: contínuo

TENS Acupuntural

Esse tipo de TENS atua nas fibras aferentes motoras, produzindo abalo muscular fásico e levando à ativação de fibras aferentes musculares não nociceptivas de pequeno diâmetro.

Atua nos receptores gama e alfa-beta ergorreceptores. Produz contração muscular forte, porém confortável. É utilizado em baixa frequência e alta intensidade.

É também aplicado sobre o ponto doloroso ou no ponto motor da musculatura a ser estimulada. Demora um pouco mais para fazer efeito, porém este permanece por mais tempo após o término da terapia. Pode ser usado por cerca de 30 minutos por sessão.

Veja os parâmetros:

  • Amplitude da onda: alta
  • Duração da onda: 100 a 200 microssegundos
  • Frequência: 100 Hz
  • Padrão: pulsado

TENS Breve-intenso

A última modalidade de TENS é utilizada para a ativação das fibras cutâneas aferentes de pequeno diâmetro sensíveis ao toque.

Atua nos receptores alfa-gama e nos nociceptores.

A intensidade deve ser mantida próxima da máxima intensidade tolerável e com mínima contração muscular. A frequência utilizada também é alta.

A sua aplicação é feita no local da dor, como nos outros tipos de TENS. Seu efeito é tão rápido quanto o do TENS convencional e dura por mais de uma hora após a sessão. A aplicação dura cerca de 15 minutos.

Confira os parâmetros:

  • Amplitude de onda: a maior possível, de acordo com a tolerância do seu paciente
  • Duração da onda: maior que 1000 microssegundos
  • Frequência: 200 Hz
  • Padrão: contínuo

Veja mais: A eletroterapia é muito mais do que TENS e FES

Como usar TENS corretamente

E no momento do atendimento? Como aplicar o TENS corretamente? Veja nosso passo a passo:

  1. Verifique se o paciente possui alguma contra indicação
  2. Teste a sensibilidade do paciente antes de iniciar a terapia
  3. Ajuste os parâmetros e conecte os eletrodos ao paciente com o aparelho desligado
  4. Ligue o aparelho após ter certeza de que tudo está conectado e devidamente acoplado ao paciente
  5. Aumente a intensidade de forma gradual, observando sempre a reação do paciente
  6. Ao final da terapia, reduza gradualmente a intensidade até a sensação desaparecer por completo
  7. Desligue o aparelho antes de desconectar os eletrodos

Afinal, é possível ter sucesso na terapia aplicando o TENS?

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O TENS é um recurso amplamente utilizado pelos fisioterapeutas para o tratamento da dor, sobretudo por ser de baixo custo, seguro e de fácil aplicação.

O mecanismo de ação e o perfil analgésico do TENS acupuntural e do TENS breve-intenso são diferentes comparados com o TENS convencional, sendo então uma alternativa quando o TENS convencional não for efetivo no manejo da dor do paciente.

Porém, como toda técnica fisioterapêutica, seu sucesso depende da sua correta aplicação. Por isso a importância de o fisioterapeuta saber os princípios por trás da sua utilização. Inclusive, o entendimento do paciente em relação à terapia também é fundamental para a sua eficácia.

Além disso, com a eletrotermofototerapia é possível alcançar resultados ainda melhores com o auxílio de ondas magnéticas e energias térmicas.

Referência:

KIitchen, Sheila. Eletroterapia: Prática Baseada em Evidências.

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