Descubra 5 Mitos Sobre a Postura

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A postura é extremamente importante para a saúde, inclusive a saúde mental, para todas as pessoas.

Problemas posturais podem surgir logo na infância ou mesmo na idade adulta.

Eles são evidenciados  por desvios posturais, que muitas vezes obrigam crianças, adolescentes e adultos a fazerem fisioterapia, usarem coletes, palmilhas, etc.

A postura, especialmente nos adultos, tem muita relação com as dores crônicas (como nas lombalgias e artroses), e elas interferem com a qualidade de vida, com o movimento e com desempenho esportivo.

 Neste post, vamos conhecer alguns mitos sobre a postura.

1° Mito: A má postura é o que causa a dor do meu paciente

Este raciocínio leva a pensar que a cura dessa dor ocorre por meio da melhora da postura.

Parece simples? Parece……, mas não é!

Apesar de esse raciocínio ter um quê intuitivo por trás, essa afirmação não tem evidência científica alguma que a suporte. Pelo menos até agora.

Além disso, do ponto de vista prático, se isso fosse verdade, pessoas com deformidades severas na coluna teriam uma dor muito intensa comparado com as pessoas que não tem desvio postural.

Os estudos indicam que a dor não é exatamente correlacionada com a avaliação postural, como a curvatura.

E não é raro se ver avaliações fisioterapêuticas com o registro de várias medições de amplitudes de movimento (feitas com um simples goniômetro) guiando todo o rumo do programa terapêutico.

Mas deve-se ter claro que essas avaliações, têm limitações, inclusive psicométricas, o que restringe bastante o seu poder.

Por isso os testes funcionais são tão interessantes. Eles não pecam na quantificação e, ao mesmo tempo, entregam resultados imediatos e concretos ao paciente.

Por exemplo, uma pessoa com escoliose severa,  tem muito mais chance de apresentar queixas sérias e reais de problemas respiratórios, necessitando de reabilitação pulmonar sobretudo quando na idade avançada, do que lombalgias.

Para entender isso, é só visualizar a situação da caixa torácica e a expansão pulmonar nas incursões, em completa desvantagem.

Em resumo, o que você deve fazer ao saber que isso é um mito?

Recomendamos muita cautela ao selecionar técnicas de correção postural quando a queixa principal do paciente é dor.

Caso o problema seja hiper/hipomobilidade de vértebras, déficits neurológicos, fraqueza do CORE, entre outras possibilidades, certamente vale a pena investir em técnicas manuais.

Mas caso a queixa mais intensa seja dor, busque entre os diversos recursos analgésicos que a fisioterapia oferece, como recursos eletrotermofotobiológicos, mobilizações  manuais, aplicações de bandagens, entre outros.  

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2° Mito: Ter uma boa postura requer muita atenção

Engana-se, quem acha que o paciente só terá uma boa postura se ficar constantemente se policiando.

É uma questão prática: não se pode exigir que uma pessoa passe o dia todo se preocupando com a postura. Inclusive isso vale para as práticas ergonômicas no trabalho.

Após realizar a análise ergonômica, o melhor que você pode recomendar é que o trabalhador se movimente periodicamente e evite sobrecargas por posturas prolongadas; mas não necessariamente que fique 100% do tempo com a melhor postura possível.

O fato é que nossos corpos não foram criados para a monitoração incessante de atividade muscular. Deixemos isso para os aparelhos de eletromiografia e biofeedback.

Sim, o paciente pode caminhar, sem ficar se lembrando de ativar o flexor longo dos dedos em determinado momento. Da mesma forma, o paciente pode sentar sem pensar em “encaixar a escápula e segurar o CORE”. Isso é algo que não se tem o domínio de escolha.

 É necessário orientar para que o paciente permita, que sua postura seja ditada por processos inconscientes. Isso é o fisiológico.

Existem estudos científicos que foram feitos em escolas,  baseados em gadgets que alertam as crianças com lembretes de “endireite sua coluna!”.

Por mais disciplinada que seja a criança, alguma distração pode aparecer e segundos depois a postura volta ao normal.

No geral, não estamos condenando esse tipo de intervenção.

 Mas o fato é que ela definitivamente não produz efeitos a longo prazo.

3° Mito: Ter uma boa postura requer muito esforço

É relativamente frequente julgarmos pessoas com má postura de sedentárias, preguiçosas, fracas… e que todo mundo que vai pra academia 6 horas da manhã seis vezes por semana tem a melhor postura possível.

Na prática porém, ao se realizar algumas repetições de exercício de controle postural com o paciente, é possível que ele se canse e na mesma hora pergunte se deve fortalecer a musculatura do tronco.

A questão aqui não é fortalecer exatamente essa musculatura, mas em primeiro plano, procurar uma postura que exija menos esforço, menos gasto energético.

A postura ótima deve ser mais leve e fácil do que a postura costumeira. Não adianta “forçar” uma postura determinada porque o cérebro sempre vai preferir o caminho mais eficiente ou o mais fácil e treinar o cérebro leva tempo.

4° Mito: Ter uma boa postura implica em sustentar um posicionamento

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Postura não é o oposto de movimento. Não se deve ficar rígido ao assumir uma boa postura.

Essa rigidez interfere em qualquer movimento que ocorre constantemente,  como a elevação e depressão da caixa torácica durante a respiração, por exemplo.

O problema é que essa constatação vai de contra a ideia de “secar a barriga” para se assumir uma postura mais ereta.

Conscientemente, as pessoas se sentem mais altas ao realizar esse movimento. Mas isso pode travar músculos respiratórios, os quais se movimentam ao longo das incursões.

Além disso, na postura estática há uma oscilação constante — muito utilizada para concentração em sessões de relaxamento e mindfulness inclusive.

É como se o corpo fosse incapaz de ficar 100% parado. Ele sempre fará um pequeno movimento para frente ou para trás, ou ainda, para os lados. Constantemente……..

Sentado, sem encostar as costas no encosto da cadeira, você consegue experimentar essa sensação. Quando se está em ortostase esse desequilíbrio piora.

É como equilibrar uma bola de boliche de 15 kg em cima de uma bengala que está sobre duas varetas.

A postura de pé é composta de múltiplas “quedas e recuperações” nas quais os músculos vão contraindo e se ajustando para inclinar o corpo de um lado a outro ao redor do centro de gravidade.

É exatamente isso que se torna o padrão oscilatório supracitado. A cabeça costuma fazer um movimento semelhante a um círculo ou um “oito (8)” acima dos pés.

O que isso significa afinal?

 Uma postura recomendada não é sobre evitar movimentos, mas sim, de permitir que pequenos ajustes biomecânicos sejam feitos em busca do equilíbrio corporal.

Você tem vantagens quando entende que uma boa postura tem muito mais a ver com o movimento do que com o corpo estático.

Outra implicação do real conceito de se ter uma boa postura, é que a postura ótima, a que permite micromovimentos, proporciona o movimento com mínimo esforço e máxima eficiência.

Um exercício muito simples e útil para visualizar isso é quando se ensina aos pacientes neurológicos a levantar-se de uma cadeira.

Eles normalmente apresentam algum déficit de força muscular, e também cognitivo,  por isso é frequente a divisão do movimento em sub-tarefas.

O preparo para se levantar de uma cadeira, é a flexão de tronco, anteversão pélvica, flexão de joelhos levando os pés para a região posterior do corpo e, por fim, a flexão do quadríceps.

Uma boa postura favorece que essa transferência seja feita de forma rápida e com menos esforço; enquanto aquela pessoa que se sentou quase sobre o seu sacro precisará de mais tempo para levantar-se, no mínimo.

Nos esportes, esse conceito é muito aplicado quando o jogador aguarda o próximo movimento já agachado, geralmente isso ajuda na defesa, o que permite maior velocidade nos próximos movimentos e alternâncias de postura em várias direções.

No dia a dia nosso cérebro fica constantemente antecipando nosso próximo movimento — não importa quão pequeno este movimento seja — e preparando nosso corpo para ele.

Movimentos corporais paralelos aos de postura

Para quase todos os movimentos, movimentamos a cabeça em conjunto para obter informação sensória.

Se você, nesse momento, rotacionar sua cabeça para um lado e depois para o outro — em uma boa amplitude — notará que os ossos do final da coluna e da pelve vão se mover também sutilmente.

Realizar esse mesmo movimento da cabeça, mas com o corpo rígido (como se estivesse adotando uma boa postura conforme se pensava) é completamente diferente e difícil de sentir nas regiões mais caudais do corpo justamente porque lá, eles quase não acontecem.

Mesmo que se insista nessa postura rígida, o cérebro simplesmente não irá se adaptar.

Não é um bom negócio para ele estar em uma situação em que se perca o controle sensório do ambiente.

O movimento de alcance é outro movimento muito influenciado pela postura.

Caso a escápula fique presa à coluna, por meio de retrações conscientes (“encaixe de escápula!”) como era orientado mesmo pela literatura científica em tempos atrás, o braço simplesmente não finalizará o movimento de alcance.

E mais que um sinal de “endurecer” os músculos conscientemente, é uma falha na orientação postural.

Sentar à mesa do trabalho, por exemplo, é uma informação associada a constantes movimentos de alcance (pegar uma caneta, alcançar o mouse, ligar a luminária…).

Por isso nosso sistema nervoso não permitirá que a escápula fique sempre encaixada no gradil costal.

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5° Mito: O melhor tratamento é fortalecer e gerar simetria é sempre melhor

Voltamos novamente à impressão de que academia e condicionamento necessariamente são essenciais para uma boa postura.

Nós somos muito influenciados pela nossa visão. Por isso pensamos que músculos mais fortes e simétricos favorecem uma boa postura. No entanto, não é bem assim.

Não é sobre o que enxergamos no sistema musculoesquelético do paciente, mas o que ele faz o paciente sentir. É evidente que é mais provável, não sentir dores e se sentir mais bem disposto quando se está com bom condicionamento, e não sedentário. Mas uma coisa não implica na outra.

É preciso, a partir de agora, esquecer das figuras dos livros que falam de “postura ideal”. Tudo depende de como o corpo se sente e quais sensações são geradas a partir de determinada postura.

Isso porque cada pessoa possui todo um arcabouço distinto de sistemas e estruturas ósseas. Por isso, individualmente, cada pessoa tem sua própria postura ideal.

Lembra das aulas de anatomia? As variações anatômicas encontradas lá no “tubérculo distal” daquele osso específico? Isso faz diferença na clínica do paciente.

As costelas da direita são diferentes das costelas da esquerda. Existe o controle neuromuscular do indivíduo destro e canhoto que se manifesta em todo o trofismo e condições estruturais dos hemicorpos.

Há a preferência também na hora de realizar atividades. As estruturas do seu paciente, são regiões desenvolvidas e que sofrem influência constantemente ano após ano por diversos fatores — intrínsecos e extrínsecos.

Elas respondem a forças de tensão e de compressão, além de vários outros tipos de forças. Por isso as assimetrias são regras, não exceções.

No geral, o que você precisa sempre se lembrar do post de hoje é que:

  • Trabalhar a postura não implica necessariamente em alívio da dor
  • Proporcionar uma boa postura não é pedir que o seu paciente fique sempre atento, se esforçando e sustentando um posicionamento
  • Para trabalhar a postura do seu paciente, você não precisa incondicionalmente trabalhar a força muscular e a simetria

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