Você sabe qual a importância da Fisioterapia Respiratória?

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Como é a atuação da fisioterapia respiratória em uma cirurgia torácica

Com o desenvolvimento das técnicas cirúrgicas, novas possibilidades de procedimentos foram surgindo, e outras foram se tornando rotineiras em muitos serviços de referência.

Um exemplo é a realização de cirurgias torácicas, principalmente as cirurgias cardíacas, de forma muito mais freqüente, inclusive as cirurgias com necessidade de esternotomia.

Essas cirurgias alteram a mecânica da caixa torácica como um todo, interferindo, e muito, na dinâmica pulmonar, sendo por este motivo indispensável a fisioterapia respiratória.

Alterações pulmonares esperadas após uma cirurgia torácica

No pós-operatório de cirurgias torácica, as alterações na função pulmonar são predominantemente de cunho restritivo, com redução dos volumes pulmonares, incluindo a Capacidade Residual Funcional e a Capacidade Vital, que é reduzida pela metade após esse tipo de procedimento.

Essas alterações ocorrem em decorrência da alteração do conteúdo abdominal, que irá interferir na contração fisiológica do diafragma, e também devido ao aumento do trabalho respiratório. Além disso, o padrão respiratório se torna mais superficial, pela dificuldade de expansão pulmonar imposta pela ferida operatória.

Tais mudanças no padrão respiratório podem gerar atelectasias, alterando a relação ventilação perfusão (V/Q), e facilitando o aparecimento de hipoxemia.

Somado à isso, temos a inibição do reflexo de tosse devido à sedação e intubação orotraqueal, associadas à redução na capacidade de depuração mucociliar de secreções pulmonares, levando à um risco aumentado para o desenvolvimento de infecções.

Todas as alterações acima descritas são eventos comuns no pós-operatório imediato de cirurgias torácicas. O maior problema é quando essas alterações, por algum motivo, permanecem, por isso a importância da fisioterapia respiratória após uma cirurgia torácica.

Quando essas alterações se tornam um problema?

Nesse caso, temos a configuração de uma complicação pulmonar pós-operatória, caracterizadas por alterações da função pulmonar que geram repercussões clínicas significativas, e alteram o prognóstico e a recuperação do paciente.

Essas complicações pulmonares pós-operatórias possuem fatores de risco pré-operatórios, como idade, tabagismo, diabetes, obesidade, desnutrição, sedentarismo, alterações pulmonares prévias, seja por doenças pulmonares ou alterações na mecânica pulmonar; ou ainda fatores de risco peri-operatórios e pós-operatórios.

Fatores peri-operatórios que interferem na função pulmonar após a cirurgia incluem anestesia geral, incisão cirúrgica, o uso de circulação extra-corpórea, nível de sedação do paciente, tempo de cirurgia, tipo da cirurgia, e colocação de drenos torácicos. Esses fatores são os que mais influenciam a dinâmica respiratória no pós-operatório imediato.

É importante ressaltar, no entanto, que nenhum fator de risco é responsável, isoladamente, pelo surgimento de uma complicação pulmonar pós-operatória. Estas são explicadas por uma complexa conjunção de fatores, muitas vezes além do controle da equipe.

As complicações pulmonares pós-operatórias mais freqüentes são atelectasias, broncoespasmos, pneumonias, e agudização de DPOC. Se comparadas com as complicações de origem infecciosa, cardiovascular e tromboembólica, as complicações pulmonares são as que geram mais custo e maior tempo de internação hospitalar para seu tratamento.

O Papel da Fisioterapia Respiratória

fisioterapia respiratória

A atuação do Fisioterapeuta no manejo das complicações pulmonares pós-operatórias tem início na fase pré-operatória, com o objetivo principal de prevenir ou amenizar possíveis complicações.

Técnicas de fisioterapia respiratória empregadas incluem aquelas capazes de melhorar a mecânica respiratória, como técnicas de reexpansão pulmonar e higiene brônquica. Ainda, o uso de espirômetros de incentivo e a realização de treinamento muscular inspiratório em pacientes de alto risco melhoram a força e a resistência da musculatura respiratória, impactando em uma melhor função pulmonar após a cirurgia.

A atuação do fisioterapeuta perpassa, ainda, as orientações sobre o pós-operatório imediato, sobre o processo de intubação e a cirurgia de uma forma geral. Pacientes bem orientados têm maior propensão a colaborar com o tratamento, são menos ansiosos, e aderem com mais facilidade à terapia proposta, otimizando o tempo e a qualidade da recuperação.

É importante, nesse momento, definir os pacientes com maior risco para o desenvolvimento de complicações pulmonares, para a elaboração de um plano terapêutico específico nesses casos, estabelecendo uma intervenção precoce. Assim, os impactos negativos da cirurgia podem ser reduzidos, aumentando as possibilidades de recuperação e reduzindo os riscos de complicações.

Importância de identificar as complicações pulmonares após uma cirurgia torácica. A fisioterapia respiratória aumenta a chance de sucesso do procedimento.

Fisioterapia respiratória

As complicações pulmonares pós-operatórias estão dentre as principais causas de mau prognóstico no pós-operatório de cirurgias torácicas. Além disso, em centros de referência, cerca de metade dos pacientes submetidos a uma cirurgia torácica apresenta algum tipo de complicação pulmonar. Isso faz com que elas devam ser identificadas e tratadas com precisão e rapidez.

O acompanhamento do paciente submetido à cirurgia torácica pelo fisioterapeuta deve ser feito antes, durante e após a cirurgia, reduzindo as chances de complicações e aumentando o sucesso da cirurgia.

Ai entra um dos papéis mais importantes do profissional de fisioterapia: o de educar todos envolvidos no processo, inclusive os gestores.

Você como fisioterapeuta sabe da eficácia e da importância de sua atuação, para que o paciente tenha um cuidado de qualidade, acelerando sua recuperação.

 

Referências

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PRADO, A.C. de O. Perfil de risco pré-operatório e sua relação com a incidência de complicações pulmonares no pós-operatório de cirurgia cardiovascular eletiva. Tese (Residência Multiprofissional em Saúde Cardiovascular) – Hospital das Clínicas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2017.

LAKSHMINARASIMHACHAR, A.; SMETANA, G. W. Preoperative Evaluation: Estimation of Pulmonary Risk. Anesthesiol Clin, v. 34, n. 1, p. 71-88, Mar 2016. ISSN 1932-2275. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26927740>. Acesso em: 14 dez. 17.

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