Porque a Fisioterapia é Necessária na Gestação

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Fisioterapia na Gestação

A Especialização em Fisioterapia Obstétrica e Ginecológica – Fisioterapia na Gestação

A Fisioterapia é uma área vasta, com diversas especialidades ainda pouco exploradas pelos profissionais e menos ainda pela população.

Apesar disso, uma das áreas que mais cresce dentro da Fisioterapia nos dias de hoje é a Fisioterapia Obstétrica e Ginecológica.

Vamos aqui contar um pouco sobre fisioterapia na gestação e uma possibilidade de especialização que oferece um campo de atuação diverso e rentável para o fisioterapeuta, sendo uma excelente opção para quem busca de especializar cada vez mais o cuidado com a gestante.

O fisioterapeuta obstétrico pode atuar antes, durante e após a gravidez porque a fisioterapia traz muitos benefícios ás gestantes nas seguintes áreas:

  • Tratamento de dor pélvica, antes, durante e após o parto;
  • Prevenção de diástase de reto abdominal;
  • Ajuda no retorno às atividades cotidianas após a gestação, inclusive no retorno ao esporte, de forma mais rápida e segura;
  • Avaliação e tratamento de incontinência urinária pós-gestacional;
  • Avaliação de disfunção sexual, dores pélvicas e alterações intestinais pós-gestacionais;
  • Promover melhoria da qualidade de vida da gestante cuidando de câimbras, falta de ar e inchaço;
  • Fortalecimento do assoalho pélvico, assim como toda a rede de músculos para a sobrecarga e evitar disfunções.

O Fisioterapeuta Obstétrico é o profissional capaz de guiar a gestante durante todo o processo da gravidez, garantindo que as alterações típicas desse período gerem o mínimo de consequência e desconforto possível.

Alterações Fisiológicas na gravidez

Durante a gravidez, ocorrem alterações em todos os sistemas corporais, a começar pelo Sistema Endócrino, o que leva ao aumento da produção de progesterona e estrogênio, à produção de relaxina, prolactina, Lactogênio Placentário Humano (HPL), e Gonadotropina Coriônica Humana (HGC).

A produção desses hormônios leva à diversas alterações no organismo, dentre elas:

  • Redução do tônus no músculo liso;
  • Aumento da temperatura e gordura corpórea;
  • Estimulação do centro respiratório = aumenta a frequência e a amplitude respiratória;
  • Retenção hídrica (associado à retenção de sódio);
  • Flexibilidade nas articulações pélvicas;
  • Substituição de colágeno em tecidos-alvo (cápsulas articulares, articulações pélvicas, principalmente – sínfise púbica e sacroilíaca) – principalmente pós ação da relaxina;
  • Aumento da tiroxina → aumento do metabolismo → sensação de calor;
  • Dentre muitos outros efeitos relacionados à gestação, crescimento e nutrição do feto, trabalho de parto e amamentação.

Sistema Respiratório

No Sistema Respiratório, temos um aumento do VC (dispnéia fisiológica); deslocamento superior do diafragma – cerca de 4 cm; pequeno aumento da FR; hiperventilação da gravidez, que aumenta o O2 e diminui CO2, gerando uma ligeira alcalose respiratória, de forma a prevenir a acidose fetal; aumento do movimento respiratório costal e apical; aumento do Consumo de O2; aumento do diâmetro torácico (ântero-posterior e látero-lateral); e aumento do ângulo subcostal.

Sistema Cardiovascular

Em relação ao Sistema Cardiovascular, temos um aumento no volume de sangue de cerca de 30%, aumento da FC, do Débito Cardíaco, e uma vasodilatação periférica, que mantém a PA normal, porém predispõe à formação de varizes e edema gravitacional.

Sistema Nervoso

O Sistema Nervoso também é afetado, podendo ocorrer Síndrome do túnel do carpo (comum no 3º trimestre), parestesias, Síndrome do piriforme por pinçamento do nervo ciático, dor no plexo braquial, e Síndromes de Compressão Neural, que podem se manifestar durante a gravidez por: retenção de líquidos , edema, frouxidão dos tecidos moles, ou alterações posturais exageradas.

Sistema Musculoesquelético

Outro componente muito afetado é o Sistema Musculoesquelético. Aumento da flexibilidade das articulações, alterações posturais, aumento na distância entre os retos abdominais, e predisposição a lombalgias, cervico-dorsalgias, pubalgias e sacralgias, retrações e fraquezas musculares, são apenas algumas das alterações que podem surgir no período gestacional.

Sistemas Gastrointestinal e Geniturinário

Outras alterações também são percebidas nos Sistemas Gastrointestinal e Geniturinário, bem como no estado emocional da gestante, que interfere e muito nos processos terapêuticos e deve ser levado em consideração.

Alterações posturais são frequfentes devido à ação da relaxina, ao aumento do peso das mamas e do útero, do deslocamento anterior do centro de gravidade, e de ajustes compensatórios advindos dessas mudanças.

Tratamento Fisioterápico com a gestante

O cuidado da gestante engloba diversos profissionais, devido às alterações fisiológicas próprias desse ciclo da vida da mulher como evidenciado acima. A atuação do fisioterapeuta com a gestante começa nas orientações, informações e abrange diversas técnicas de forma a aliviar o impacto dessas alterações no cotidiano da mulher.

Historicamente, o papel da mulher durante a gestação e principalmente durante o trabalho de parto, vem sofrendo modificações consideráveis.

Vários estudiosos como Winnicott, que iniciou suas pesquisas com a psicanálise associada à obstetrícia em 1957;

Dick-Read, que propôs o conhecimento da fisiologia do parto, associado a exercícios perineais e abdominais e técnicas de relaxamento;

Bradley, pregando a importância da participação ativa da mulher durante o parto;

e Lamaze, baseando-se na teoria Pavloviana do reflexo condicionado, trazendo o relaxamento de grupos musculares, a concentração focal e os exercícios respiratórios para o trabalho de parto;

contribuíram de forma significativa para a formação do referencial teórico no qual se baseia a fisioterapia obstétrica atualmente.

Preparação para o parto

Um pré-natal adequado envolve além de todas as medidas conhecidas, uma preparação corporal.

Com base nas pesquisas acima citadas e nos efeitos conhecidos do exercício no organismo, puderam ser determinados benefícios do exercício físico também para as gestantes que incluem:

  • Melhor percepção corporal;
  • Melhor controle de relaxamento e contração/tensão;
  • Respiração adequada;
  • Melhor controle das sensações decorrentes das contrações durante o trabalho de parto;
  • Auxílio no controle da força de expulsão;
  • Permissão da participação efetiva na gestação e nascimento do bebê, etc.

Para que os objetivos sejam alcançados, as atuações da fisioterapia podem ser individuais ou em grupos, dependendo das necessidades de cada gestante. É fundamental o envolvimento do companheiro em todas as etapas do processo, e a participação de toda a equipe de cuidado multiprofisisonal.

As orientações vão desde recomendar que ela busque uma alimentação adequada, sobre a postura ideal para dormir, sobre adaptações necessárias nos ambientes de trabalho e em casa, sobre a melhor forma de realizar atividades de vida diária de forma a evitar sobrecargas, cuidados ao carregar objetos, dentre outros.

Condutas Fisioterapêuticas na Gravidez

A atuação do fisioterapeuta, como em todos os outros casos, vai muito além das orientações. Várias técnicas podem ser empregadas para o tratamento das gestantes, dentre elas:

  • Técnicas/exercícios de relaxamento;
  • Exercícios respiratórios;
  • Alongamento leve das musculaturas em maior sobrecarga, que são principalmente, mas não exclusivamente: iliopsoas, quadrado lombar, rotadores externos de coxofemoral (piriforme), e glúteo médio;
  • Fortalecimento das musculaturas enfraquecidas: irá depender de uma avaliação criteriosa, devido aos cuidados diferenciados que esta paciente exige. A musculatura enfraquecida pode ser por conta da sobrecarga imposta pelo peso do bebê, ou um enfraquecimento prévio agravado pela gestação. De qualquer forma, ela precisa ser tratada para evitar o surgimento de sintomas e complicações.

Se você gostou desse tema, tem dúvida sobre alguma conduta com uma gestante, ou gostaria de aprofundar um pouco mais, deixe um comentário aqui abaixo. Ficaremos felizes em discutir mais sobre o assunto, e elaborar mais materiais sobre o tema no futuro!

Referências:

BARACHO, Elza. Fisioterapia aplicada à obstetrícia, uroginecologia e aspectos de mastologia. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

MARQUES, A. A.; SILA, M. P. P.; AMARAL, M. T. P. Tratado de fisioterapia em saúde da mulher. São Paulo: Roca, 2011.