Descubra Como Você Pode Medir a Força de um Músculo – Parte 1

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Um método simples, rápido e preciso para medir a força muscular

Como medir a força de um músculo. Este é o primeiro de uma série de três artigos que serão publicados sobre este tema de autoria do fisioterapeuta George Sabino.

Ao chegar em um centro de saúde, qualquer indivíduo pode ter sua pressão sanguínea mensurada e o conhecimento desses resultados direciona para os cuidados que ele deve tomar. Um procedimento parecido pode ser obtido ao se verificar os níveis circulantes de lipídeo sanguíneo (lipidograma) ou glicose em um laboratório.

Procedimentos simples como esses podem impactar de maneira significativa a saúde do indivíduo. Compreender bem um fenômeno nos permite lidar com ele e manipular variáveis buscando o que é melhor para a população.

Agora, imagine que você fosse mensurar sua pressão e os resultados fossem dados através da palpação e percepção do examinador naquele momento, da seguinte forma:

  • Ótima (5);
  • Boa (4);
  • Moderada (3);
  • Ruim (2);
  • Péssima (1;
  • Ou Morto (0).

Qual seria seu grau de confiança ou de motivação para alterar seus hábitos de vida para reverter aquela classificação que lhe foi dada?

Infelizmente é assim que trabalhamos com uma das principais variáveis clínicas do nosso dia a dia, a força muscular, a qual é mensurada tradicionalmente pelo Teste Muscular Manual (TMM). O TMM consiste em medir a força produzida por um músculo contra a resistência de um avaliador e ela será graduada de 0 a 5 da seguinte forma:

  • ( 0 ) Sem contração;
  • ( 1 ) Esboço de contração;
  • ( 2 ) Contração que produz movimento em uma amplitude limitada;
  • ( 3 ) Contração que produz movimento em toda a sua amplitude, mas não vence uma resistência externa;
  • ( 4 ) Contração em toda a sua amplitude que vence uma pequena resistência;
  • ( 5 ) Contração capaz de vencer uma grande resistência.

Particularmente as classificações iniciais (0 a 3) podem apresentar uma boa confiabilidade, pois sua definição é bem precisa, todavia, as classificações finais (4 e 5), as quais se enquadram boa parte dos pacientes de fisioterapia traumato-ortopédica, são extremamente subjetivas, afinal, o que seria uma pequena ou grande resistência?

O movimento é desencadeado pelas forças que são aplicadas em um determinado corpo, dessa forma, se pretendemos compreender e intervir sobre o movimento, a base é entender bem essa variável, força.

Como medir a força de um músculo

Apesar de a força ser uma grandeza vetorial, conhecer, ao menos sua magnitude já nos ajudaria bastante. Isso não é fácil, pois a própria produção da força pelo músculo pode ser manipulada a cada instante por uma série de fatores inconsciente ou consciente. Isto é, você pode, com os mesmos músculos da mão, por exemplo, pegar uma caneta com precisão (que tem algumas gramas) ou uma mochila (com alguns quilos).

Apesar dessa complexidade ser um dificultador na hora de mensurar a força de um músculo, atualmente temos entendimento da contração e instrumentos clínicos acessíveis que nos permitem a mensuração com precisão para essa valência.

É essencial que cada fisioterapeuta se apodere desse instrumento para aprimorar sua prática e, consequentemente, aprimorar os cuidados em saúde da população.

Essa sequencia de três artigos tem por objetivo ensinar o emprego dessa forma de mensuração, bem como, em sua parte final, vislumbrar algumas aplicações clínicas que justifiquem essa prática precisa e potencializem os cuidados em saúde na Fisioterapia.

Mas como seria realizada essa medida com precisão, sem utilizar o TMM?

Existem várias formas de mensurar a força de um músculo que vão desde equipamentos sofisticados, como o isocinético ou o dinamômetro isométrico, até formas clínicas simples e acessíveis, como o teste de uma repetição máxima (1RM). A vantagem do primeiro é a precisão e diversidade de dados (um isocinético apresenta além do pico de força, a curva de comprimento e tensão do músculo, razão agonista-antagonista, índice de fadiga, dentre outros). Todavia, apresenta como desvantagem seu custo, particularmente se compararmos o gasto para realização do teste de 1RM, que seria de uma resistência externa (peso, caneleira ou banco extensor, por exemplo), que já são de uso rotineiro na clínica.

Considerando a necessidade de dispersão dessa medida, concentrarei essa resenha nas medidas clínicas, todavia ao invés do teste de 1RM, vou apresentar aqui a metodologia para realização do Teste do Esfigmomanômetro Modificado (TEM), mesmo instrumento empregado para a mensuração da pressão, mas que é valido e confiável para medir a força de qualquer músculo, por isso foi realizada inicialmente a comparação com a medida da pressão sanguínea.

Como dito, uma forma simples e rápida de medir a força, que apesar de conhecida há tempos sempre foi relegada, é através do aparelho de mensuração da pressão, o Esfigmomanômetro. A denominação do teste de ‘modificado’ deve-se a esse emprego alternativo do instrumento.

Acreditava-se antigamente que esse teste poderia descalibrar o aparelho, todavia, em estudos recentes foi verificado que isto não é verdade. O emprego do esfigmomanômetro, com o intuito de medir a força muscular, afeta tanto a calibração do instrumento quanto o uso normal que é realizado para mensuração da pressão sanguínea, de forma que esse receio não se justifica e os fisioterapeutas, como já referido, devem apropriar-se de seu uso para melhorar sua clínica e os cuidados com seus pacientes.

Para saber como realizar a medida, acesse a Parte 2 desse artigo.
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